Apresentação

Olá, meu nome é Carmen Costa, sou médica, especializada em Pediatria, Neonatologia e Imunoalergologia. Durante a minha formação médica e atividade profissional pude observar que um paciente bem informado é de grande valia para uma boa orientação clínica. Desta forma, como a relação médico- paciente ao meu ver é um caminho que apresenta duas vias decidi construir este blog, no sentido de divulgar informação e por conseguinte exercer uma melhor prática médica.

domingo, 15 de julho de 2012









Estarei em Congresso nos próximos tempos, portanto ficarei ausente até o mês de Agosto. Voltarei com novidades.

domingo, 1 de julho de 2012

Moleiras
 
  Logo após ao nascimento e durante os primeiros dias de vida, principalmente se for  parto normal ou se a criança estava em posição pélvica ao nascimento (nasceu de nádegas) os pais notam que a cabeça da criança  está assimétrica e isto pode-lhes provocar uma certa ansiedade. Esta situação é frequente e perfeitamente normal. Nota-se principalmente quando passamos a mão pela cabeça da criança e sentimos como se fossem papinhos que normalmente não verificamos do outro lado.
  O crânio do recém-nascido é dotado de fontanelas popularmente conhecida como moleiras, que são aberturas na caixa craniana separadas por linhas também abertas que se chamam suturas.  Os ossos não estão totalmente calcificados sendo portanto mais "maleáveis" e móveis desta forma permitem ao nascimento a modificação da forma para facilitar a passagem no canal vaginal e com o tempo alteram sua estrutura mediante o crescimento cerebral.
  Durante os primeiros 2 anos de vida do bebê o cérebro vai ter um crescimento verdadeiramente espantoso e as aberturas no crânio serão necessárias para permitir que haja espaço para que o órgão se desenvolva nas suas maiores potencialidades. Quando isto não ocorre por fechamento precoce das suturas/fontanelas chama-se cranioestenose que provoca uma diminuição do espaço intracraniano restringindo o crescimento cerebral e podendo causar deformidades na caixa craniana, além de lesões neurológicas.
  A Cranioestenose é mais frequente no sexo masculino embora atinja meninas também, ainda não se tem uma causa definida, portanto não é passível de prevenção na maioria  das vezes, há várias especulações para a etiologia desta doença como hereditariedade, infecções intra-uterinas (toxoplasmose, citomegalovirose, rubéola, dentre outras) utilização de medicamentos durante a gestação. Ocorre com a frequência de 1 caso a cada 2500 nascimentos.
  A suspeita diagnóstica é feita normalmente na consulta de rotina de pediatria durante o exame físico do bebê. A confirmação da doença é obtida por exames de radiologia como tomografia axial computadorizada ou ressonância nuclear magnética onde pode se  observar as suturas fechadas, malformações do sistema nervoso central ou deformidades da calota craniana ou dos ossos da face.
  O tratamento  normalmente proposto é cirúrgico, onde irá se criar espaços que permitam a expansão cerebral, bem como  a correção das deformidades existentes a nível dos ossos do crânio. É importante que antes de fazer o tratamento cirúrgico se exclua outras alterações que possam estar associadas a esta condição clínica, uma vez que síndromes genéticas e outras doenças de foro neurológico também podem cursar com o fechamento precoce das suturas. Outras situações clínicas como as abaixo citadas também deverão ser estudadas caso venham a ser detectadas.
  O atraso no fechamento das suturas e fontanelas pode ser um sinal indireto de hidrocefalia que deverá ser investigado o mais precocemente possível.
  Sentir a moleira pulsando é normal na maioria das vezes, principalmente quando o bebê estiver a chorar. Se acompanhada de febre deve ser investigada.
  Moleiras deprimidas ou baixas acompanhadas de vômitos e/ou diarreia podem sugerir desidratação. Moleiras estufadas podem indicar meningites e deverão ser investigadas.
  Um acompanhamento pediátrico será fundamental para esta criança no que diz respeito ao crescimento e desenvolvimento. Desta forma consulte sempre um profissional especializado para acompanhar as etapas mais importantes da vida do seu filho.

domingo, 17 de junho de 2012



Orelhas de Abano: Devemos Operar???


  A formação das cartilagens das orelhas praticamente está terminada por volta dos 4 anos de idade, o que nos induz a pensar que as orelhas ficarão proeminentes de forma permanente após este período. Aí, vem a dúvida dos pais, devo deixar operar ou não?
  Esta condição clínica está presente em meninos e meninas, mas a queixa costuma ser mais observada pelos pais de crianças do sexo masculino, uma vez que o cabelo comprido costuma disfarçar o afastamento das orelhas nas meninas. Normalmente, a queixa acontece quando as crianças entram para a escola ou com o convívio com outras crianças (que costumam ser muito "ácidas" umas com as outras) e isto acaba por gerar uma situação de ansiedade nos pais e na própria criança.


  Quando há alterações psicológicas (problemas de rejeição, timidez, "bullying") geradas pela estigma provocado por esta característica física e a criança deve ser consultada além de seus pais sobre a possibilidade de intervenção cirúrgica, uma vez que este procedimento é tido na maioria dos casos como uma correção estética. Em geral a idade mais frequente de início de correção é em torno dos 6-7 anos, onde a criança já tem uma opinião a dar sobre o assunto e não somente a voz da ansiedade dos pais, que não deve ser a determinante final na escolha pela cirurgia. 
  A cirurgia é chamada otoplastia (o procedimento aproxima a orelha da cabeça, corrigindo a forma e desenho da mesma) normalmente apresenta bons resultados e é de técnica relativamente simples, onde o corte é feito atrás da orelha a pele é descolada da cartilagem e fixada com pontos internos. Porém não podemos esquecer que além de  um procedimento cirúrgico obrigatoriamente envolve um ato anestésico, deste modo é obrigatória uma avaliação laboratorial e clínica do paciente para assegurar que o mesmo encontra-se em condições de ser submetido a cirurgia e a anestesia. A anestesia pode ser local ou geral, dependendo da extensão do procedimento e principalmente da colaboração do paciente.
  De modo geral a cirurgia pode ser feita ambulatorialmente ou se necessário interna-se por um dia após a recuperação pós-anestésica. A criança vai para casa com ataduras que quando são removidas nota-se um inchaço (edema) no local que vai progressivamente diminuindo com o passar do tempo. Os pontos externos são retirados em uma semana e a colaboração da criança e da família nos primeiros dois a três meses em fundamental para o resultado da cirurgia.
 Todas as cirurgias consideradas estéticas devem ser muito bem equacionadas pois envolvem riscos e limitações técnicas inerentes ao próprio procedimento ou ao paciente.
 

domingo, 3 de junho de 2012

Achei este Vídeo Interessante


Principalmente a parte da deprivação do sono...

 Desculpe estar em inglês, mas não achei nada parecido em português.


http://www.youtube.com/watch?v=taDqKWWPDAY
Vamos retirar as fraldas?

  Esta é uma pergunta muito frequente: quando retirar as fraldas a uma criança? A resposta é: quando ela estiver pronta para tentar. Como tudo na vida isto exige bom senso. Há pais que iniciam o desfralde aos 6 meses de idade (por questões econômicas ou ideais ecológicos),  há outros que somente muito mais tarde, ou seja não existe uma idade para iniciar o desfrade. O importante é não pressionar a criança como se isto fosse uma prova de aferição, pois a mesma poderá reagir muito mal e ocorrerá desde vários episódios de inundação na casa (incontinência urinária) e a obstipação intestinal voluntária, que é uma situação clínica bastante desagradável para todos os envolvidos.
  A média de idade é em torno dos 18 meses, quando a criança já começa a interagir e a perceber as nossas perguntas e agir conforme o esperado. Se o bebê tiver o trânsito intestinal com padrões fixos e identificados pelos pais, o desfralde poderá ser mais fácil e até pode ser tentado antes, desde que o bebê consiga ficar sentado sozinho pelo menos 5 a 10 minutos. A criança  começa a indicar normalmente que já tem ou vai ter a frada suja. Poderá deixar a porta aberta para que a criança veja que este é um ritual que todos nós praticamos.
http://2.bp.blogspot.com/_2xZE7sMv62g/TSX_qC0hKlI/AAAAAAAAAjo/5uU9lV4OYko/s1600/bebes-penico4.jpg  A tentativa inicial é retirar as fraldas do dia, porém se o intento fluir de modo suave poderá na altura retirar-se as fraldas da noite (quando as fraldas já estiverem secas). Mesmo após o início do controle ainda leva de 5 a 6 meses para que este se efectue. Entre os 2 e 5 anos de idade a criança ainda não tem controle esfincteriano total e vão ocorrer eventualmente alguns "acidentes". Evite oferecer líquidos antes da hora de dormir e leve a criança ao banheiro/casa de banho antes de deitar ou mesmo durante a noite.
  Poderá utilizar tanto um penico como um redutor e deixe a criança explorar o objecto. Depois coloque a criança para que ela perceba para que este serve. Não deixe de oferecer a casa de banho/banheiro várias vezes ao dia. Quando a criança pedir evite retardar a ida, respeite os limites e capacidades da criança.
  Prepare-se para encontrar uma cama molhada de vez em quando no início do treino da retirada das fraldas nocturnas. Isto é absolutamente normal, utilize um resguardo, há vários modelos no mercado.
  Não castigue ou humilhe a criança por ter fracassado, este tipo de atitude só atrapalha o aprendizado da criança, o reforço positivo com elogios sem exageros quando a criança obtiver sucesso é o mais recomendado.
  Às vezes poderá ficar um tempo sentada no penico ou sanita sem fazer nada e quando puser a roupa fará na roupa, não se preocupe pois o controle do esfíncter está só começando, limpe a criança e faça tudo de modo natural.
  Meninos e meninas aprendem primeiramente sentados. Os meninos devem ser estimulados a urinar em pé após o controlo do esfíncter já estabelecido.
  Algumas crianças regridem neste processo, com o intuito de chamar atenção. Normalmente quando chega um irmãozinho, ou diante de alguma situação nova.
  O importante aqui é não estressar a criança, mais cedo ou mais tarde ela se libertará das fraldas, dê tempo ao tempo, dê amor e carinho, que isto vai passar de maneira descontraída.


A,B, C, D DOS SINAIS OU PINTAS



   Os sinais ou pintas são marcas que aparecem no nosso corpo ao longo da vida. Em algumas pessoas dependendo do local ficam até bastante charmosos, porém é necessário que tenhamos cuidado com as características apresentadas pelo sinal pois ele pode ser a apresentação de um câncer/cancro de pele, nomeadamente o mais perigoso de todos que é o melanoma. A incidencia deste tumor tem aumentado em crianças e adolescentes.

O que é? 
  O melanoma é o tipo de câncer de pele mais letal que existe. Tem sua origem nos melanócitos que são células produtoras de melanina (substância que determina a cor da pele). Mesmo que represente somente 4% dos tumores de pele, o melanoma é grave pela sua alta possibilidade de metástase. Como toda e qualquer doença, terá melhor prognóstico se detectada precocemente, ou seja sem a presença de metástases. Estes tumores podem ser adquiridos da mesma maneira que outros tumores de pele mas também são considerados fatores de risco: a exposição solar em demasia, a pele clara (principalmente ruivos com sardas, estes podem ter melanoma claro), história familiar, história pessoal prévia que vai facilitar o aparecimento de novas lesões.

O que se sente? 
  Geralmente o melanoma não ocasiona sintomas. Ele pode acometer uma pele normal ou desenvolver-se a partir de uma lesão, geralmente pigmentada. Estas lesões podem ter colorações escuras e diversas, bordos irregulares, coceira, entre outros achados. Quando há uma alteração visível em lesão anterior,  aumento do tamanho, na coloração e na forma com o aparecimento de bordas irregulares, é importante uma avaliação dermatológica. O A,B, C e D está abaixo:

  • Assimetria - se imaginarmos uma linha que passe pelo meio do sinal ele é assimétrico

  • Bordas irregulares - os limites do sinal são mal definidos








O Sol 

  Após um looooongo inverno estamos nos preparnado para o verão. Porém não devemos nos esquecer que a presença do sol que tanto nos alegra também pode ser  perigosa para o nosso organismo, sobretudo crianças, pessoas de pele mais sensível e idosos. 
  Os cuidados com a pele os olhos e com a hidratação nunca são demais e devem ser sempre lembrados. 
  É importantíssimo o uso de óculos escuros (apropriados) que nos protejam contra os raios UVA e UVB, assim evitamos o envelhecimento e os danos causados pelo sol. 
  O uso de chapéus, bonés ou roupas produzidas com tecnologia dirigida contra esta irradiação (vendidas em lojas próprias) também é recomendado, não só quando vamos para a praia ou piscina, mas no uso diário.
  A fotoproteção é mandatória em todo o ano como publiquei no meu primeiro post, portanto não devemos descuidar deste aspecto de prevenção de doenças associadas à exposição solar. Os protetores solares são divididos em:  físicos ou minerais e químicos. Embora os químicos sejam de mais fácil aplicação os minerais são considerados mais seguros sobretudo nas faixas etárias até 2 anos, isto porque os químicos dependem da absorção através da pele e ativação no organismo os físicos não são absorvidos pelo organismo.
  Nas infância e na terceira idade, temos obrigatoriamente que nos preocupar com a ingestão de líquidos, uma vez que são faixas etárias mais propensas a desidratação, então ensine seu filho a ingerir líqudos e aprenda a ingerir também. 
  A infância é a principal época da vida para iniciarmos a educação quanto a exposição solar. Tenha certeza que se ensinar seu filho a se proteger dos efeitos danosos dos raios UVA e UVB estará contribuindo muito para a saúde futura de sua criança.